Sem categoria → O Homem que Copiava Software
Ontem li uma reportagem no site IDG Now! sobre uma multa de 7 bilhões de reais que o Stand Center foi condenado a pagar à ABES (Assoc. Bras. das Empresas de Software) por comercialização de software pirata. Valor justo?
O software pago tem seu preço. Além do valor monetário, muitas vezes gera-se dependência. A quem almeja poder faz-se necessário estabelecer uma necessidade. É cômodo viver na caverna. O software livre também tem seu preço. É inegável que é mais complicado e desmotivante reaprender meios de se trabalhar para suprir com determinadas necessidades, muitas vezes com recursos mais limitados, quando se vê colegas continuando a fazer da maneira que você sempre fez sem grandes desafios. Este é o preço do software livre. Sair da caverna não é fácil e nem tampouco é para todo mundo.
O ser humano, porém, tem uma mania abusada de querer usufruir dos bônus sem arcar com os ônus inerentes. Tudo tem seu preço, mas as pessoas parssaram a acreditar que o os fatos desconhecidos por todos não terão consequências. “A verdadeira medida do caráter de um homem é o que ele faria se soubesse que nunca seria descoberto“, segundo Thomas B. Macaulay. Será que se eu avanço um sinal vermelho e ninguém vê, não existiu crime? Será que não houve um grande desrespeito para com a sociedade e uma inconsequência sem medidas ao expor pessoas (crianças, pais de família, mulheres grávidas ou quem quer que seja) a um risco de morte, danos físicos e/ou perdas de entes queridos? Mas se os acidentes não se confirmam, guardas não apitam ou flashes não disparam, o cidadão segue tranquilo para casa e esquece do que fez poucos instantes atrás.
A pirataria é isso: querer a comodidade do software pago sem pagar o que os detentores dos direitos autorais cobram em troca. Na reportagem mencionada, a ABES declara que o índice de pirataria de software no Brasil é de 59%, causando um prejuízo de 1,6 bilhão de dólares somente no último ano.
Muitos dizem rejeitar a idéia de patentes. Os que questionam propriedades privadas não deveriam possuí-las ou considerá-las como tal, pois “minha casa não é minha, e nem é meu este lugar” (Milton Nascimento / Fernando Brant). A César o que é de César. (Mt 22,21)
É importante que cada um siga seu caminho consciente das consequências de suas atitudes. Os que querem conforto, paguem por isso. Os que querem liberdade, que adaptem-se à realidade e procurem melhorá-la da maneira que lhes é possível. Por último, aos piratas, saibam que estão comentendo crimes e por isso estão sujeitos a sanções legais e, quem sabe, algo mais. Isto se chama responsabilidade.